sábado, 26 de abril de 2008

SONHO 19/04/2008

SONHO 19/04/2008

São 10:15 da manhã. Embora não me lembre de todas as imagens ou ideias do sonho, uma parte permanece clara: um grupo de três pessoas, jovens, estava em fuga. Havia uma moça, um rapaz e um terceiro, cujas feições e gênero não consigo recordar.

O perigo vinha de um quarto personagem, uma presença sinistra que simbolizava o mal. Ele os perseguia, movido por um único propósito: obter uma pequena peça metálica, verde musgo, que cabia na palma da mão. Aquela peça, de aparência modesta, tinha o poder de atravessar o espaço-tempo, ativada num simples piscar de pensamentos.

O grupo foi surpreendido numa área densa, cercada de árvores antigas e retorcidas. Um pequeno córrego, coberto por algas e folhas longas, cortava o cenário, e a tensão no ar era palpável. Nesse momento de distração, o mal conseguiu roubar a peça e fugiu, desaparecendo em direção a uma estrela distante, testando os limites de seu novo poder. A ameaça, contudo, era clara: ele voltaria, e o grupo não estaria seguro até que a peça fosse recuperada.

A moça, com cabelos longos e cacheados, pele alva e um sorriso largo, de olhos castanhos esverdeados, tomou a liderança. Seu tom era firme, ainda que sua aparência transmitisse uma delicadeza aparente. “Precisamos recuperar o objeto”, disse, com urgência.

O rapaz, ao seu lado, refletiu por um instante e então lembrou: havia outro modo de voltar ao passado, de corrigir os erros cometidos. Ele apontou para uma árvore, uma gigante de tronco robusto que parecia ter testemunhado séculos de história. “Há algo nesta árvore”, disse ele. “Podemos usar sua idade para abrir uma ponte no tempo.”

A moça assentiu, e o rapaz se preparou. Segurando o segundo objeto contra o peito, ele tocou a antiga árvore com a outra mão. Num clarão de luz, ele foi transportado para o passado, para o mesmo local, mas em uma época diferente. Agora, a floresta era mais densa, as árvores estavam repletas de folhas, e o córrego ainda fluía lentamente, mas o ambiente parecia mais escuro, mais carregado.

Na margem oposta do córrego, o rapaz avistou uma cerca, uma trama intrincada de galhos e raízes, como se a própria natureza estivesse tentando impedir seu caminho. Uma sensação de perigo iminente o fez recuar. Pegou uma pedra do chão e a lançou contra a cerca. Ao impacto, faíscas elétricas surgiram, iluminando a cena com estalos de energia.

Sem outra alternativa, ele começou a procurar um caminho diferente. Após uma busca ansiosa, decidiu escalar a parte mais alta da cerca, que, à medida que subia, começou a se transformar num muro sólido. Ao chegar ao topo, deparou-se com um cenário estranho: uma estrutura de telhado que lembrava a cerca de galhos, mas agora parecia mais com um teto de um antigo prédio.

Lá de cima, ele viu o interior da cerca. Vasos, plantas exóticas e, no centro, a mesma árvore que o trouxera até ali. Era o ponto de origem. Ele sabia que o objeto verde musgo estava enterrado em sua base. Sem hesitar, pulou para dentro e se aproximou da árvore.

Ao se abaixar para desenterrar o objeto, uma menina surgiu diante dele. Ela tinha cerca de dez anos, loira, com cabelos curtos e crespos, mas sua voz carregava uma maturidade melancólica, como se muitos anos de sabedoria e tristeza tivessem se acumulado em sua alma. “Que droga… uma mulher alemã!”, disse, pegando o objeto antes que o rapaz pudesse alcançá-lo.

Confuso, ele a seguiu com o olhar enquanto ela caminhava em direção a uma porta de onde emanava uma luz intensa. Ao olhar para dentro, ele viu um cenário estranho e intrigante: muitas crianças, todas vestidas de branco, brincando em um ambiente que parecia uma mistura de metal e natureza. Havia canos, rebites e estruturas que pareciam vivas, um emaranhado de bronze, prata e ferrugem.

Intrigado, o rapaz fixou o olhar em um dos tubos, como se sua visão pudesse penetrar suas camadas. Ao aprofundar sua percepção, viu o interior do cano: tubos menores, serpentinas de metal, transportando um líquido que parecia o mesmo que envolve um feto no útero materno. De repente, uma figura bizarra emergiu das profundezas daquele mundo: um deus-peixe, uma mistura de bagre e peixe-anjo. Ele era velho, muito velho, e parecia observar tudo com uma calma ancestral, como se fosse o guardião daquele mundo estranho.

Porém, antes que o rapaz pudesse compreender o significado daquela aparição, ele foi violentamente puxado de volta à realidade. Lá estava ele novamente, diante da árvore. E, mais uma vez, quando estava prestes a pegar o objeto, a mesma menina surgiu, repetindo as mesmas palavras enigmáticas: “uma mulher alemã!”.

Dessa vez, tudo fez sentido. A peça verde musgo não era apenas uma ferramenta de viagem no tempo, mas um anúncio, um marco. Ela simbolizava o ciclo da vida, a transição entre morte e renascimento. Quando alguém morria, uma nova alma estava destinada a tomar seu lugar. O rapaz sentiu essa verdade como uma revelação.

O som de passos se aproximava. Ele subiu no muro novamente e olhou para o horizonte. Lá, uma longa fila de mulheres, caminhando em silêncio, atravessava o portão em direção à luz. O local estava agora muito mais claro, as árvores, antes vigorosas, começavam a murchar, como se o próprio tempo estivesse se esvaindo.

O rapaz, ainda atordoado pela clareza da revelação, decidiu seguir para a saída, sabendo que o ciclo continuaria. Lá fora, diante da luz crescente, caiu no chão e acordou, encarando os olhos da jovem moça de seu grupo.

Acordei então, com uma energia frenética. As imagens ainda brilhavam na minha mente. A necessidade de escrever, de capturar tudo o que vi, de pintar o que presenciei, era incontrolável.

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